quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Enlace - Arnaldo Silva

 
Tem uma panela
Mas isso é tão fútil
Eu gosto tanto dela
É bonita, útil

Tem também aquele sofá
Uso para amar, descansar
Onde vou deixando
Minha vida passar

Tem minha mente
Que as vezes mente
Construindo realidades
Para buscar a felicidade

Mas tem meu coração
Que se acostumou com a solidão
Tanto nas noites de verão
Quanto nos dias de multidão

Tem meu sexo que gosta de ser livre
Embora deteste ter que escolher
Entre o azul, o verde e o lilás
Quando ele quer apenas você

Assim como a panela e meu sofá
Tem minha coberta
Que não vivo sem ela
Para onde quer que eu vá

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A farsa - Relbier Oliveira

Quanto tempo faz que não beijas a face do demônio para seres assim, tão feliz?
Porque tua felicidade me irrita, na medida em que também não posso ser.
Emprestei espírito demais para a régua que criei
E ora ela se volta contra mim, perversamente
Mostrando-me que sou mais mesquinho
Que qualquer um que injuriei.
Nesse palco de excentricidades, quis impor que fossemos todos iguais
Iguais a mim ou ao que julguei fosse o certo
E agora me sinto aflito, aporrinhado pelo mau que eu mesmo criei.
Está dentro de mim, pedra por pedra o edifiquei
E num parto fatal, morreremos ambos, eu sei
Porque tu sou eu, e eu quero antes morrer.
Não há mais ilusão de liberdade
Seria preciso recomeçar (de novo)
E de novo
E de novo
Até aprender a atirar na cabeça que não a sua
E a não se preocupar com nada
A olhar no espelho e ver o melhor dos mundos
A cortejar o desagrado alheio se sentindo ainda íntegro.
Sim, porque é tudo uma farsa!
Os doces no chão, a competição sempre foi natural:
Consagraram fraca a criança das balas doadas
E corromperam valores fundamentais
De existência.
Fui conivente com tudo isso, distribui panfletos
E hoje agracio a face do capeta
Porque não sei como ser feliz
Porque deixei de aprender como ser. Gostou da postagem? Então faça um comentário e/ou clique nos botões das redes sociais abaixo para ajudar a divulgar. Ficaremos eternamente gratos :D

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desabafo - Relbier Oliveira

Coloca a sua melhor roupa
Fica o dia inteiro asseiado,
Perfumado, esperando o momento certo
Esperando da janela ela passar
E desce correndo a rua
Pedindo a Deus coragem
Para lhe falar
Para desculpar-se do que não se sabe o que.
Por quê seus amigos têm de ser tão difíceis?
De tantas pessoas no mundo, por que ela?
Ela é uma pessoa especial, você crê.
Só que foi ela mesma quem virou as costas para você, assim sem mais.
E você se sente um lixo, o pior dos homens
Neurótico por fazer tudo errado sem saber o que fez
Sem saber o que se é: se bom ou se mal
Sem saber a cara do seu próprio retrato
Tirado pelo Leviatã.
Porém, jamais vai descobrir, porque nunca terás coragem:
Fraco, imaturo, covarde!
E ainda me usa para falar de si.
Eu, que estava preso no inferno da inexistência
Açoitando o capeta.
Oro por ti, para que me supere e me deixe descansar:
Afinal, às vezes cansa dizer a verdade
E você não me deixa mentir.
Por que és tão cruel conosco?
Se eu pudesse, faria o seu trabalho sujo.
Definiria a partida, a favor ou contra.
Mas a cruz é tua
E também a jornada
Que te conduz até onde dormem os elefantes
E te livra deste inferno light
Que é viver! Gostou da postagem? Então faça um comentário e/ou clique nos botões das redes sociais abaixo para ajudar a divulgar. Ficaremos eternamente gratos :D

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Epopeia sóciohumanizatoria - Relbier Oliveira

Não é possível ter dúvida da amizade
É algo que nos toma gradualmente
Tal qual o trabalho incansável dos pequenos animaizinhos
Dia e noite, dia e noite
Quase insuportável
E vai crescendo, vai crescendo
Sem controle
Nos tornamos reféns
Ansiosos por qual seja a última estação
Hão de se confundir:
Querer estar próximo, se possível o tempo todo
Querer saber do seu dia, da sua vida
Querer fazer-se ouvido por ele
Querer abraço, afago
Querer, às vezes, distância e solidão
Querer xingar, bater, para corrigir
Presentear, agradar, cuidar
Querer para si, só para si, e para ninguém mais
Do que estamos falando, afinal?
Deste amor que sinto, que já não tem mais nome
E que não ouso nomear
Por que meu amor não é meu amigo, ou vice-versa?
Por que o amigo não é meu amor verdadeiro?
É uma identificação profunda, rara e necessária
“não confunda os termos, ou vai estragar tudo”
Joguem merda no ventilador das emoções
E se permitam experimentar o inferno da sinceridade
Caótica e desumana, descivilizatória
Onde o fogo consome o espírito disforme
A amizade, o amor e essas drogas endoespirituais
Essências, aromas, um “que”
Corrompa a lógica, os valores, e se permita experimentar
Se entregue à indefinição dos termos
E perceba o absurdo que nos prende os tempos todos
Ponha ordem no caos ao preço de fugir a fantasia
Mas que seja a sua ordem, os seus horizontes
Diga ao amigo:
“eu vou, porque por ali bate o meu coração”
E vá, vá...
Não olhe para o Cisne, para a Lebre, ou outros mais
Que estão atrás de você, no que ficou para trás
Para o que você virou as costas
Para o que você ousou deixar, o que ousou transformar
Recomeçar
A amizade, o amor, essas drogas todas...
Vá sentir, vá experimentar
Vá viver, meu amigo. Gostou da postagem? Então faça um comentário e/ou clique nos botões das redes sociais abaixo para ajudar a divulgar. Ficaremos eternamente gratos :D